Foram oitenta quilómetros numa estrada monótona que já só dentro do parque era interessante.
Desci as passarelas até ao ponto mais próximo e fiquei ali a apreciar. Realmente é espectacular ver aquela massa de gelo. Algumas pessoas esperavam ver um desprendimento de algum bloco de gelo. Mas é uma sorte.
Pouco tempo depois caiu um pedaço mas nao era bem isso que eu esperava ver. Fiquei mais de uma hora na expectativa de ver o tal espectáculo. Apenas se ia ouvindoo barulho, que era impressionante, que o glaciar fazia.Dava uns estalidos fortes que às vezes pareciam trovoes. Também se ouvia o que parecia pedaços a caírem no interior.
Cansado de esperar, até porque tinha mais uma hora de conduçao e nao queria andar de noite, resolvi regressar. Quando cheguei ao pé da moto ouvi o tal estrondo de algum bloco a cair, e o UAU das pessoas que ainda lá estavam, e que me cansei de esperar.
É sempre assim! Quando saímos é que acontecem as coisas.
Ao chegar a El Calafate já a noite caía.
Ao fim de seis dias no mesmo sítio, de vez em quando é preciso parar por uns dias, era hora de voltar à estrada.Apesar de me levantar antes das nove só saí ao meio dia. Tinha tudo espalhado na tenda e tornar a arrumar tudo no seu sítio foi demorado. Quando fico só um ou dois dias procuro nao desarrumar muito as coisas. Além de que nao ia fazer muitos quilómetros.
Esta zona encostada aos Andes é muito seca e desértica. As montanhas nao permitem que a humidade trazida pelo vento marítimo chegue até aqui. A vegetaçao é composta por arbustos muito pequenos e erva seca. Havia um rio que corria por ali mas mesmo assim nem nas margens havia muita vegetaçao.
Depois de setenta quilómetros de asfalto começou o rípio. Nalguns pontos era um pouco complicado, nao dificil, passar devido às pedras soltas. Estao a fazer uma estrada nova e penso que daqui a pouco tempo a ligaçao de El Calafate a El Chaltén já estará toda asfaltada.
Ao longo do Lago Viedma via-se a montanha seca por trás do lago e ao fundo, para onde me dirigia, a montanha com bastante neve. Foram bastantes quilóñetros com este panorama espectacular.
Procurei o parque de campismo de Madsen, que o Mick tinha indicado por ser de borla, mas só dá para dormir e nao tem água nem serviço nenhum. Preferi pagar alguma coisa e ficar num com equipamento.
No dia seguinte de manha fui até ao Lago del Desierto, de moto, pois disseram-me que era interessante. O percurso até lá é muito bonito, passa-se junto a rios e pelo meio de florestas, mas a estrada é meio complicada. Primeiro tem muita pedra e cascalho grosso o que dificulta o andamento e depois na parte final tem muitos buracos. Até parecia que estavam a nascer quando passava.
Depois de abastecer em Perito Moreno continuei até Los Antiguos, onde encontrei mais uma vez o Thomas e a Katharina. Esta cidade parece um oásis no meio desta regiao desertica.