Atravessar o Arkansas era o meu destino. Segui por algumas estradas secundárias para atingir as montanhas de Ozark. Serviram para quebrar a monotonia das longas rectas.
As estradas na montanha eram uma delícia para rolar, muitas curvas e subidas e descidas.
Mais à frente entrei no Missouri até chegar a Kansas City, cidade que está dividida pela fronteira entre o Missouri e o Kansas.
Passei dois dias em casa do Sean Tucker, que conheci em Buenos Aires, e da mulher,Angel. Aproveitei para mudar os pneus que já estavam a chegar ao fim, o dianteiro ainda duraria mais uns quilómetros mas assim já ficava o problema resolvido até ao final da viagem.
Na sexta à noite houve uma pequena festa onde se juntaram amigos e família.
Apesar de uma visita guiada pela cidade, aqui o bairro do jazz,
perdi-me ao sair da cidade. Acontece-me muitas vezes.
Segui pela estrada 7 durante um pedaço, ao longo do rio Missouri, entrando depois na inter-estadual 29. Saí para a estrada 2 e logo mais à frente havia vestígios de inundações, campos cobertos de água e até a estrada estava com uma das faixas cortadas por causa da água.
A seguir a Lincoln procurei a Pawnee State Recreation Area para acampar por lá. O parque de campismo fica mesmo ao pé de um lago.
Continuei pela estrada 2 que já começa a ir para noroeste mas é sempre a mesma coisa, milho e soja ao longo de quilómetros de estrada. Colinas cobertas de erva e algumas árvores lá pelo meio vão quebrando a monotonia mas ao fim de muitos quilómetros não desperta interesse.
A meio da tarde levanta-se um vento fresco que me obriga a vestir o interior do blusão. Há semanas que andava só com o exterior e mesmo assim o calor sobrava.
A linha do caminho de ferro acompanha a estrada durante centenas de quilómetros e os comboios de carvão passam uns atrás de outros, longos de dezenas de vagões.
A certa altura a moto pede a reserva e começo a ver no mapa se haverá alguma aldeia maior com gasolina mas nada e no GPS diz que será só a 60 milhas (96 kms), o que é muito longe. Talvez tenha passado sem ver alguma estação de serviço que às vezes parecem fora de serviço de tão velhas que estão. Comecei a pensar que ainda ia ficar seco ali no meio daquele deserto de casas.
Próximo de Lakeside havia umas obras na estrada e tive de parar. Perguntei à moça que controlava o trânsito se na aldeia mais à frente haveria gasolina e ela disse que não sabia mas talvez não, era demasiado pequena. Ela ainda perguntou se a gasolina não daria para chegar a Alliance, uns 40 quilómetros. Eu disse que já vinha na reserva talvez há uns 50 e a reserva dá para 50.
Nesta ocasião ela telefona para um colega, estávamos na hora de despegar, a perguntar se tem gasolina e ele diz que sim e já vem a caminho. Quando chegou ela falou com ele outra vez e ele disse que eu podia usar a gasolina de um pequeno bidão que ele tinha, uns 6 litros.
Quis pagar mas ele disse que nem pensar. Agradeci, pus a torneira na posição normal e arranquei.
O vento voltou e também o meu receio de ficar sem gasolina mas ao fim de meia dúzia de quilómetros a moto não pedia a reserva e vi que já dava para chegar ao oásis.
Fiquei em Alliance pois já a tarde acabava e bem precisava ao fim de 580 quilómetros, os últimos meio sofridos.
O pior foi no dia seguinte. Logo pela manhã ia-me dando uma coisa.
Quando pus o motor a andar fiquei meio assustado. O motor falhava e não subia de rotação. Pensei logo que a gasolina que me tinham dado ontem estava marada ou teria lixo e entupido os carburadores.
Deixei o motor aquecer um pouco e entretanto fui a uma bomba de gasolina pois precisava de atestar. Enchi o depósito e fui seguindo devagar para ver se o motor aquecia. Ao fim de uns quilómetros já rolava normalmente.
Segui pela estrada 385 em direcção a Hot Springs, no Dakota do Sul, sempre numa planície sem fim.
Ao chegar ao Custer State Park, na região das Black Hills,
segui pela estrada 87. Neste parque as estradas são óptimas para rolar, bom piso, muitas curvas com subidas e descidas.
O problema é que o limite de velocidade era baixo e não se podia ter o gozo que as estradas poderiam dar, além disso havia muitos carros a andar bem devagar.
O Crazy Horse Monument fica por aqui e tive de lá ir ver. Lembro-me de ler muitas histórias sobre este chefe índio e a sua relutância em deixar-se dominar pelo exército. Por agora apenas tem uma cara feita
mas toda uma pequena montanha vai ser esculpida com um cavaleiro e o seu cavalo.
Um museu ali próximo tem uma grande mostra de coisas antigas sobre os índios.
O Dave, que conheci em Alliance, tinha-me dito para não falhar a Needles Hwy e a Iron Mountain Hwy. São duas estradas cheias de curvas, subidas e descidas e pequenos túneis,
além disso em três ou quatro pontos fazem uma volta completa.
Não podia passar sem ir ver o Mount Rushmore National Memorial. Aqui vi uma moto, uma TDM, com matrícula da Eslovénia.
A minha visita às Black Hills estaria feita e resolvi continuar para leste.
Fui até Hill City e daí segui pela Old Hill City Hwy, a estrada 323. Uma maravilha de percurso até Keystone, apesar das inúmeras vezes que foi preciso atravessar a linha do comboio.
O Badlands National Park ficava em caminho e segui por lá.
Fui ao centro de visitantes e vi que dava para ir pelo interior do parque durante um bom par de milhas. Formações rochosas ao longo da estrada, como uma espécie de colunas, eram o mais interessante para ver.
Voltei à estrada principal e a partir daí foi sempre a andar para leste. Segui pelas estradas 14 e 34, com enormes plantações de girassóis, e a partir de Pierre pude apreciar um pouco do rio Missouri.
Fiquei em Fort Thompson e agora tenho de ir seguindo para norte e leste.
Fort Thompson, N 44º 04,258’ W 99º 26,114’