Para cá chegar, depois de visitar o Yellowstone Park, fui continuando para norte procurando sempre seguir por estradas secundárias, nas principais há muito movimento e andam muito depressa.
Um dos pontos a visitar era o Glacier National Park mas ainda ficava longe. Parei para dormir em Drummond onde conheci um casal muito simpático, estivemos na conversa e a beber umas cervejas durante algum tempo.
Cheguei ao Glacier Nat.Park, na entrada oeste em Apgar, ao início da tarde. Montei a tenda e fui dar uma volta pela estrada para o Sol, nome da estrada. A estrada estava fechada a partir de certo ponto por causa de desabamentos e pela neve.
Mesmo no ponto da barreira havia um trilho para o lago Avalanche. Fui até lá e era uma maravilha. Ao redor as montanhas tinham neve e havia algumas quedas de água.
Como o parque tinha outra entrada tive de o contornar para chegar lá. Nessa ligação vi um urso negro na berma da estrada.
Entrei por St. Mary e fui para o campismo em Rising Sun. Fui dar uma volta até à barreira na estrada. Não havia nada para ver. Mais abaixo um trilho levava a umas cataratas e meti por lá.
As primeiras cataratas não eram nada de especial mas as segundas, Virginia Falls, já eram mais grandiosas. Como sempre veio uma chuvada no regresso.
No parque de campismo, ao meu lado, estavam quatro americanos e um deles, o Jay, convidou-me para me juntar a eles e beber uma cerveja. Claro que aceitei e estive a contar um pouco da viagem que ando a fazer. De manhã deu-me um cartão e disse que se passasse no Minnesota para os ir visitar.
Daqui até ao Canadá era uma distância curta. Na fronteira deixei o cartão verde que me deram na entrada dos Estados Unidos. O funcionário carimbou-me o passaporte para provar que tinha saído do país. Entrar nos Estados Unidos é um problema.
Não tinha muito para ver, para mim, e continuei no dia seguinte.
As estradas tornaram-se muito longas. São muitos quilómetros de rectas sempre por planícies com muito gado.
Ao passar em Frank Slide fui ver o que seria e vi que era sobre uma antiga cidade que foi quase toda soterrada por um desabamento da montanha sobranceira. Ainda vi um documentário sobre isso.A tarde foi quase toda de chuva. Passei em Fort Steele, uma outra cidade antiga, mas bem reconstruída.
Tinha uma mensagem da Cheryl a perguntar quando passava por Victoria. O Narko, o Orkatz e o Axel já passaram por lá. Eu disse que também iria passar mas não sabia quando.
Em Radium Hot Springs tinha de pagar a entrada no parque Kootenay. Achei que seria melhor comprar o passe anual pois por cada dia é preciso pagar uma taxa.
Ao subir a montanha vi uma cabra montesa na estrada, por acaso ia devagar e pude parar para tirar umas fotos.
Cheguei a Lake Louise ao final da tarde e arranjei lugar no parque de campismo, que é meio caro. Ainda fui ao centro da vila, caminhando ao longo do rio, para comprar alguma comida.Fui ver o famoso Lake Louise, tinham-me dito que não o podia perder.
Era bonito mas na hora em que cheguei lá começou a chover. Fui andar na borda do lago e entretanto a chuva parou. Mais à frente havia um outro trilho que levava até uma casa de chá no planalto dos seis glaciares. Foi preciso subir bastante e algumas vezes atravessar a neve, poucos metros mas mesmo assim fazia impressão.
Ao anoitecer, no parque de campismo conheci a Annita, uma moça suíça, que anda numa auto-caravana a passear sozinha pelos Estados Unidos e Canadá. Disse-me que tinha tirado dois meses para dar uma volta pois estava a precisar de desanuviar.
Quando acordei de manhã a chuva já tinha parado e estava tudo meio seco. Abasteci, pois havia uns avisos a dizer que seriam 230 quilómetros até Jasper sem gasolina mas mais tarde vim a ver que havia um posto a uns setenta quilómetros. Arranquei com o céu nublado mas sem chuva. Pelo caminho ia parando para tirar umas fotos e ainda fui ver mais umas quedas de água.
Fui ver o Peyto Lake que por acaso foi interessante por causa da sua cor azul esverdeada.
Fui até à cidade, ao final da manhã, para conhecer um pouco e ver algumas informações sobre onde ir. Andei pela velha estação de comboios e ao longo das avenidas.
Após almoçar segui para o Maligne Lake, tinha visto que seria interessante. Fui subindo na estrada, até cerca dos dois mil metros onde fica o lago.
A meio caminho fica o Medicine Lake, assim chamado pelos índios pois era um lago com uma grande medicina ou magia. O lago durante o verão quase fica seco e a água de um rio desaparece. Os geólogos descobriram que havia umas fendas no fundo do lago por onde a água saía e ia aparecer num outro lago a uns dezassete quilómetros.
À medida que ia subindo ficava cada vez mais frio. Junto ao Maligne lake apenas dei uma volta e decidi regressar a Jasper.
Ao final da tarde, no parque de campismo, um motociclista americano chamou-me e disse que me queria apresentar alguns outros motociclistas. Eram canadianos da ilha de Vancouver. Estivemos a conversar um pedaço e um deles disse que se passasse por lá podia ficar em sua casa e deu-me um cartão. Não sei o que se irá passar.
Vi num cartaz uma indicação de um ponto de interesse e fui ver. Era o lugar onde foi colocado o último prego para completar a ligação por caminho de ferro entre a costa oeste e a costa leste do Canadá.
Agora só falta mesmo estudar as estradas a percorrer, não há muitas, e ver os pontos de abastecimento de água, comida e gasolina. Sei que haverá algumas partes onde a autonomia da minha moto não será suficiente e terei de levar gasolina suplementar.
Mas espero que tudo vá correr bem. Quero ver o sol da meia-noite e se tiver sorte alguma aurora boreal.
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O desenho do percurso destes últimos dias já foi actualizado.
Revelstoke, N 50º 59,918’ W 118º 11,265’