Era o único visitante à hora em que fui até lá. A época das visitas coincide com as vindimas que já estão a acabar. Está lá um enólogo português a trabalhar há quatro anos.
Saí em direcção às Termas de Villavicêncio para fazer uma estrada que o Hamish me tinha indicado. Assim também evitava a Ruta 7 que faz a ligação com o Chile e tem muito trânsito de camiões. Esta estrada é a principal ligação do porto de Valparaíso, no Chile, com a Argentina para os produtos que entram e saem do país em direcção ao oceano Pacífico. Também vi bastantes camiões brasileiros.
A estrada para as termas é razoável até entrar na montanha. Aqui fica mais estreita e pouco depois acaba o asfalto e começa a terra.
A estrada segue depois um pouco para o interior da montanha mas sempre subindo. Aos três mil metros volta a descer em direcção a Uspallata, mas antes ainda tem um pequeno barranco, chamado “El Balcón”, do lado direito que também impressiona. Até está vedado e só se pode ver o início.
A estrada, com um piso muito bom, sobe por um vale espectacular. As encostas são muito secas e nalguns pontos têm um tom rosado.
A antiga linha do comboio internacional está abandonada e acompanha a estrada durante muito tempo. Sobe até à fronteira e continua para o Chile.
Passei pela Puente del Inca sem a ver e fui indo até ver o acesso para o Parque Provincial Aconcágua. Perguntei se havia parque de campismo lá dentro e disseram-me que não.
Voltei para trás e fui até Los Penitentes onde meti gasolina e arranjei um hostal para dormir.
No Parque Provincial do Aconcágua só existem lugares para acampar a grande altitude. Poderia ter ido até ao primeiro mas era necessário carregar todo o equipamento. A tenda que tenho é pesada e a minha mochila é pequena para levar tudo, além disso não tenho preparação física para subir até lá. Mais acima já será só para quem quer subir a montanha e aí é preciso ser mesmo um andinista.
Andei um pouco por um trilho até ao ponto em que começa o acesso aos acampamentos de alta montanha. O cerro Aconcágua só o vi de longe. O vale tem duas pequenas lagoas e um rio.
A ponte de rocha natural está vedada ao público desde 2005 pois ameaça ruir. Já existem planos para a reforçar pois é um ponto de atracção turística muito importante. Por baixo ainda existem as ruínas de um hotel construído no início do século XX para aproveitamento das águas termais que brotam da montanha. Mas em meados do mesmo século umas avalanches de neve destruíram quase todo o complexo termal e tudo foi abandonado.
As cores das rochas são devido à acção das águas ao longo dos anos e à sua diferente composição.
Na subida até à fronteira, o túnel do Cristo Redentor fica a 3.200 metros, não teve problemas e acelerava bem.
Nalguns pontos ao longo da estrada a água estava congelada. O Outono já se faz sentir.
Ao entrar no túnel no lado argentino as motos não pagam portagem mas no lado chileno depois de tratar das formalidades tive de pagar. Havia um cartaz a dizer “todos pagam peaje”. Já noutras ocasiões tinha visto o mesmo nas auto estradas chilenas como vim a ver mais tarde.
A descida para o Chile impressiona nos primeiros quilómetros. A estrada segue aos SSS pela montanha abaixo. As fotos que já havia visto não mostram o que é na verdade.
Ia com a ideia de rumar a Viña del Mar ou Valparaíso mas o tempo fez-me mudar de ideias. Estava frio e o céu estava carregado de nuvens. Ainda cheguei perto de Viña del Mar mas resolvi dar a volta e seguir para norte, talvez o tempo estivesse melhor.
Ao passar em Ventanas havia uma manifestação numa fábrica e pensei tirar uma foto mas a polícia não me deixou parar.
Contornei a costa à procura de um sítio para dormir mas não havia nada. Entrei em Zapalla e nada. Continuei até Papudo, uma pequena povoação piscatória. Aí encontrei.