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sexta-feira, setembro 14, 2007

Picos de Europa 1992

Esta viagem foi decidida sem mais nem menos e foi bem fixe.
No final o Pimenta escreveu uma pequena historia que foi publicada na "motojornal" passados uns meses.

*** clicar em cima de cada foto para abrir e poder ler ***






Se calhar haveria mais coisas para contar mas o mais importante é que estes cinco dias foram espectaculares.

Pirenéus 1992

Pirenéus 1992

Esta primeira ida aos Pirenéus foi realizada como consequência da ida aos Picos de Europa.
As paisagens dos Picos fascinaram-nos de tal maneira que pensámos que os Pirenéus também deveriam ser fantásticos em termos de beleza.
O Fernandes não podia ir mas o Pimenta e eu preparámos as coisas para irmos no início de Junho. Era mais fácil marcar férias nesta ocasião e também fugíamos à época alta quando anda muita gente e é mais difícil arranjar sítios para dormir ou comer.
O Pimenta sempre foi mais organizado do que eu e estudou um percurso a realizar numa semana.
Poucas semanas antes de partirmos um amigo nosso, o Hernâni Cunha, perguntou se podia ir connosco. Via-nos a falar entusiasmados sobre a viagem e sobre a anterior ida aos Picos que também queria ir. Não haveria problema.
Nós que saíamos sempre de manhã cedo quando queríamos fazer uma volta, desta vez saímos só depois de almoço.
Fomos dormir perto de Valladolid. Procurámos um parque de campismo mas não nos souberam indicar nenhum. Acabámos por acampar num terreno ao lado de um hotel. Correu bem, ninguém nos incomodou.

Seguimos até Andorra que naquela época, penso que ainda hoje, era um destino muito procurado pelos portugueses para compras e turismo.
Ficámos aí acampados dois ou três dias e aproveitámos para subir ao Port d’Envalira, ponto mais alto na estrada para França. A estrada sobe por um vale muito bonito. A chuva é que não nos largava e aumentava as quedas de água.


De volta a Espanha seguimos em direcção a Viella. Num certo ponto a estrada estava em obras e com a chuva ficou um lamaçal que nos sujou todos. O que vale é que a chuva continuava e lavou-nos bem depressa.
De vez em quando havia uma aberta e dava para fazer umas fotografias.
Quando passámos no Port de Bonaigua a 2.072 metros, em Baqueira Beret a zona com mais altitude, a chuva passou a neve. Neve ligeira mas que molhava e era bem fria.




Em Viella arranjámos um hostal pois com a chuva precisávamos de secar alguma coisa e sempre seria mais quente.
A continuação da viagem era em direcção a Somport e segundo nos informaram já podíamos utilizar um túnel acabado de construir uns meses antes e evitar a estrada pela montanha, pois estaria cheia de neve.
Assim fizemos e tanto na subida como na descida depois do túnel deu para ver uma paisagem fantástica. Montanhas verdes com neve até uma certa altitude, aquele contraste era uma beleza.



Entrámos no vale de acesso ao Monte Perdido, que faz parte do Parque Nacional de Ordesa e Monte Perdido. Mais um vale espectacular. Fomos até ao final e regressámos pois a estrada não tinha continuação.



Mais um túnel para atravessar só que desta vez para França. A meio do túnel as placas informativas já estavam em francês.

Fomos dormir em Fabian. Quando estávamos a chegar a um pequeno hotel uma senhora que estava a entrar num carro parou e olhou para nós. Voltou para trás e perguntou se queríamos ficar ali.
Dissemos que sim e que também queríamos comer alguma coisa. Para comer seria mais complicado, só se fosse umas omeletas e batatas fritas.
-Que maravilha, dissemos nós.
A senhora abriu a porta do hotel e disse para nos instalarmos pois ia a casa e voltaria mais tarde. Queria ir ver o final de um jogo de futebol entre França e Suécia, se não estou em erro, para o campeonato europeu desse ano.
Pouco depois de nos instalarmos e de um banho quente para nos reanimar a senhora voltou.
Fez-nos então o jantar e regressou a casa. Ficámos sozinhos no hotel.
Fomos a um bar beber um copo que eu tive de pagar pois fazia anos nesse dia. Mas quando regressámos ao hotel eu disse que ainda tínhamos de beber uma garrafa de vinho do Porto que eu tinha levado para comemorar e não queria carregá-la mais tempo. Ajudou a combater o frio.
No dia seguinte fomos ver uns lagos que havia perto. Com a neve que tinha caído nos dias anteriores estava um espectáculo.



Passámos perto de Lourdes mas não fomos em peregrinação até lá.
A nossa ideia era regressar a Espanha um pouco mais à frente mas a estrada a partir de La Mongie estava bloqueada pela neve. Ainda estivemos um pedaço a pensar em tentar mas depois achámos melhor não arriscar. Um francês passou a barreira e tentou seguir de carro mas ao fim de uns metros teve de parar e ao vir em marcha atrás caiu na valeta. Tivemos de o ajudar a sacar o carro senão a polícia ainda era capaz de o multar.

Voltámos a descer pelo Col d’Aubisque até uma estrada que nos levasse mais à frente de modo a podermos subir novamente a montanha e atravessar para Espanha.
Perto do cruzamento para o Col du Portalet a moto pediu a reserva e fiquei na dúvida se seria melhor descer mais um pouco e ir à próxima cidade meter gasolina. Mas depois pensei que haveria algum posto de combustíveis no caminho e não valia a pena fazer o desvio.
Continuámos a subir apreciando a paisagem nestas estradas que normalmente fazem parte da volta a França em bicicleta.
Depois de passar a fronteira e começar a descer no lado espanhol a moto ficou mesmo sem gasolina. Afinal deveria ter ido atestar mais abaixo em França. Valeu-me o Hernâni que com a sua Africa Twin pôde ir procurar um pouco de gasolina. Voltou pouco depois com alguma e dizendo que havia um posto a meia dúzia de quilómetros.
A estrada até Biescas passa por uma paisagem fascinante. Vêem-se algumas aldeias nas encostas e mesmo junto da água numa barragem. Ainda fizemos um desvio para ir ver um velho mosteiro abandonado.
No primeiro hotel em que parámos em Biescas disseram-nos que não havia lugar. Se calhar foi por verem três indivíduos de moto um pouco sujos. Mas mais no centro arranjámos quem nos abrigasse.



Uma visita ao Parque de Ordesa e Monte Perdido não podia falhar.
Seguimos as placas indicativas que havia e fomos passando por zonas bem bonitas. Na estrada que subia para o parque já dava para apreciar a beleza que seria. Andámos um pouco a pé mas o parque é enorme e só deu para ter uma pequena ideia da grandiosidade que tem. Merecia uma visita mais demorada.
Felizmente já tivemos, eu e o Pimenta, oportunidade de lá voltar mais algumas vezes e fazer umas caminhadas pela montanha. Só posso dizer que é uma maravilha!





Na volta entrámos num caminho que subia a par de um rio e resolvemos dar um mergulho. Estava sol e pensámos que seria bom.
O pior foi ao entrar na água. A água estava como gelo. Até apetecia berrar.
Continuámos em direcção a Huesca para começar o regresso casa.
No entroncamento com a estrada para Saragoça parámos para abastecer e o Pimenta perguntou onde ficavam os “Mallos de Riglos”, formação rochosa que aparecia em livros como uma beleza a visitar. Cerca de quarenta quilómetros para trás nessa estrada onde chegámos.
Uma pequena conferência entre os três e resolvemos ir até lá para ver.
Valeu a pena essa deslocação. Pouco mais à frente de Ayerbe saímos à direita e entrámos numa estrada que nos levava ao sopé da montanha. Aquilo impressionava mesmo. Uma espécie de colunas rochosas com trezentos metros de altura. É um lugar para onde muitos escaladores vêm treinar.
Seguindo outra vez em direcção a casa parámos pouco depois de Saragoça para dormir. No dia seguinte chegámos a casa cansados mas satisfeitos.
Uma semana com muita chuva e alguma neve mas quando tudo corre bem e as paisagens e a companhia são boas só se pode dizer: foi muito bom!

A partir de 1996 tive oportunidade de ir várias vezes até aos Pirenéus, tanto no verão como no inverno, para rolar por aquelas estradas de montanha fabulosas e também para fazer umas caminhadas.
Aquela cordilheira tem ainda muito que me falta conhecer. Espero voltar lá mais vezes.

Escrevi este texto com a ajuda do meu amigo Humberto Pimenta que fez uma revisao para nao haver erros com os nomes dos lugares.

terça-feira, setembro 11, 2007

Pirenéus 1996

PIRENÉUS – 1996

No início de 1996 o meu amigo Humberto Pimenta descobriu Anzánigo, pequena aldeia no pré-Pirenéu entre Huesca e Jaca.
Numa revista de motos vinha uma informação sobre uma concentração invernal chamada “Javali’s Treffen” no primeiro fim de semana de Fevereiro. Pensou que seria um desafio ir até aos Pirenéus no Inverno e com dois amigos, o Jorge Santos e o António Fernandes, foi ver como era esse encontro de motociclistas.
A viagem e o encontro decorreram bem mas o que mais os impressionou foi o ambiente vivido e a simpatia do organizador, Emilio Moliné.
Conheceram uns franceses que os convidaram a ir até à região de Bordéus e participar num encontro de PanEuropean que organizavam.
O encontro foi realizado num parque de campismo que tinha sido em tempos um dormitório dos trabalhadores de duas barragens que foram construídas na região.
Esse parque de campismo só abre nalguns fins de semana para realizar encontros de motociclistas e no verão, de Junho até final de Agosto. Durante estes meses os motociclistas têm um preço especial, muito em conta.
Quando regressaram, os três não se cansaram de elogiar o ambiente vivido e o local que merecia uma visita mais demorada.
Como estava na ocasião de marcar férias consegui a segunda quinzena de Agosto para assim poder acompanhar o Pimenta que queria ir para lá nas suas férias.
Em finais de Abril, o Pimenta e o Santos foram até França. Vieram encantados com a simpatia com que foram recebidos.
Entretanto íamos falando no assunto no moto clube e mais alguns amigos se mostraram interessados em ir até lá.
No dia da saída juntou-se a nós o Henrique Maia. A Susana, o Daniel e o Pedro Zagalo iriam lá ter uns dias mais tarde.
A pequena aldeia de Anzánigo fica no “pré-Pirineo Aragonês”. Na estrada de Huesca para Jaca há um desvio depois de Ayerbe que leva a essa povoação que só no verão ganha vida. Nestes últimos anos só tinha dois habitantes permanentes – que não se falavam.
Ao chegar a Anzánigo vi que o parque de campismo ainda estava em construção. Havia uma zona relvada para montar tendas e outra para caravanas. Também tinha uma piscina para os dias mais quentes, muitos no verão. Os velhos dormitórios estavam a ser recuperados para funcionarem como um grande refeitório ou como camaratas. Num deles havia pequenos quartos individuais, de quatro camas.
Depois de montadas as tendas e refrescados fomos até ao bar para refrescar por dentro.
Muitos motociclistas, quase todos espanhóis, que nos receberam de uma maneira muito simpática dizendo que era a primeira vez que portugueses iam acampar ali.
Sempre com a barreira da língua a impedir uma boa comunicação lá fomos tentando conversar com alguns deles. Mas depois de uns copos de cerveja a barreira foi desaparecendo.
O dono do parque de campismo revelou-se uma pessoa muito simpática e passámos todos muito tempo na conversa.
No dia seguinte à chegada ficámos por ali para tentar conhecer melhor o ambiente e assim podermos escolher os locais a visitar.
A primeira saída foi para ir até França para ver uma subida impossível. O Gaspar, um pequeno espanhol de Valência, desafiou-nos a isso e nós achámos que seria um bom início de actividades nas férias. O problema é que saímos um pouco tarde pela manhã e ele não sabia bem o lugar onde era por isso quando chegámos já estava a acabar ou tinha acabado, não me lembro. Mas foi uma volta interessante.
Uma visita ao castelo de Loarre, perto de Ayerbe, não podia faltar.

Subimos até uma das fronteiras com França, agora já na companhia dos outros três camaradas que entretanto tinham chegado, por vales verdejantes que vistos lá do alto quase pareciam tapetes de veludo. Passámos para o lado francês descendo toda a montanha para voltar a subir mais à frente e regressar por outro lado. Estradas muito boas para circular de moto e com paisagens fantásticas.


À medida que os dias iam passando o convívio aumentava e criámos algumas amizades que ainda hoje se mantêm. O Gaspar, de Valência, é um deles e já ficámos em casa dele quando fomos ver o Rali Paris Dakar há uns anos. Também nos convidou, ao Pimenta e a mim, para irmos ao seu casamento.
Outro é o Emílio, o dono do parque, que se revelou uma pessoa muito agradável. Já esteve em Portugal mais que uma vez e passou na Trofa para nos visitar.


Uma outra saída foi até ao Balneário de Panticosa, um centro de águas termais na alta montanha. Pelo caminho aproveitámos para saborear uma água sulforosa e muito mal cheirosa numa fonte ao pé da estrada, mas que era muito boa para o estômago. Ainda parámos na aldeia de Panticosa e subimos numas tele-cadeiras para apreciar melhor a paisagem.



O Daniel e o Pedro continuaram para Andorra e a Susana ficou connosco.
Fomos ao Parque de Ordesa e Monte Perdido que nos encantou. Paisagem fabulosa com os vales entre paredes enormes e os rios com muitas cascatas. Merecia uma visita, ou mais, com tempo para poder apreciar melhor.


Ainda demos uma volta pelos vales de Echo e Ansó que eram uma maravilha. As estradas para lá também eram espectaculares, passando por desfiladeiros e planaltos bem interessantes.






Num dos dias houve um temporal muito forte e com tanta chuva que tivemos que meter motos e tendas dentro de um dos pavilhões que ainda estava a ser recuperado.
A Susana e o Henrique regressaram e eu e o Pimenta continuámos mais uns dias por ali.


Voltámos ao parque de Ordesa para fazer uma caminhada passando junto à cascata do Cotatuero e depois de andarmos por um vale que parecia não ter fim ainda apreciámos a cascata da Colla de Caballo. Foi um espectáculo!









Fomos até Ainsa, pequena aldeia medieval restaurada, um regalo poder estar ali.


Fizemos a pé uma parte do “Cañon de Añisclo” pois o percurso era longo e em linha e não dava tempo para ir até ao final e regressar às motos.




Percorremos mais um pouco aquela cordilheira por algumas estradas que davam um gozo enorme. As aldeias também eram encantadoras e algumas bem antigas e perdidas lá no meio da serra.





Anzánigo tornou-se para nós, para mim e para o Pimenta, um lugar muito especial.
A partir de 96 quase todos os anos íamos até lá pelo menos uma semana. Também chegámos a ir a algumas concentrações de fim de semana, saindo na sexta e regressando na segunda. O parque foi melhorando ao longo dos anos e tornou-se um ponto de encontro com velhos e novos conhecidos. Muitos motociclistas: franceses, alemães, ingleses e holandeses faziam desse parque de campismo uma espécie de oásis nas suas idas ou vindas de férias.
Numa dessas concentrações, no final de Outubro, conheci os franceses que o Pimenta já conhecia. Voltaram a convidar os portugueses a ir a Bordéus no ano seguinte.
Dessa vez, em Maio de 97, já pude ir e ainda voltei lá mais duas vezes.
Sempre que íamos até Anzánigo procurávamos ir conhecendo mais um pouco da cordilheira e das aldeias e cidades em redor, de moto ou a pé. Muitos lugares bem bonitos que conhecemos a pé e que não seria possível de outro modo.
Claro que nestes últimos anos já não passávamos tanto tempo ali mas uns três ou quatro dias não falhavam. Depois seguíamos para outros lados.
Os Pirenéus são uma cordilheira espectacular e quem lá for passar uns dias só pensa em voltar mais vezes para poder conhecer mais e mais…

Em http://www.anzanigo.com/ há muitas informações.

A revisao do texto foi feita pelo meu amigo Humberto Pimenta para tentar cometer poucos erros, quanto a nomes ou lugares.